
06 5 / 2011
Los Hermanos e Repolho – parte 03 – show em Forianópolis
Na ida pra Floripa o ônibus do Los Hermanos bateu e quase que foi uma desgraça total. (Se a banda fosse mais supersticiosa teria cancelado a turnê ali). Minha avó com certeza diria que era um sinal. Eles bateram numa curva, na traseira de um caminhão parado. Se estivessem numa velocidade mais alta, o ônibus ia despencar numa ribanceira, daí sim ia ser feio o negócio. Mas como as coisas que são para acontecer acontecem, independente da nossa vontade, reza, mandinga o qualquer outro tipo de amuleto. Não aconteceu nada e todos saíram ilesos sem nenhum arranhão sequer.
Em Floripa o show foi no “Fios e Formas” reformado. Que bonito reformaram o local e o show de reinauguração era com o Los Hermanos que já havia tocado ali um tempo antes (ainda na turnê do disco “Bloco do Eu Susinho”) + Repolho e + Pipodélica.
No dia do show a casa ficou sem luz. Pra ser mais preciso, bem na hora da passagem de som. Olha que legal. Não pudemos passar o som e nem regular nada. Quando eu percebi que o palco estava meio que quase que se chacoalhando todo (pra não dizer caindo), comentei com a dona do local. Levei uma mijada homérica dizendo que foram contratados profissionais especializados e que era assim mesmo… e blá blá blá… Pensei comigo, tudo bem fazer o que né? No show brincamos com a situação diversas vezes. A falta de luz aconteceu perto das sete e voltou somente a meia noite. As pessoas já faziam fila na porta do local. Estávamos pensando em contratar um gerador quando a luz voltou. Tudo bem, vamô que vamô. Fizemos o nosso show que foi muito bacana. Tínhamos recebido um pedido carinhoso do Marcelo Camelo para que tocássemos algumas músicas da demo Campo e Lavora do Repolho. Ele sempre comentou que era fã da banda e coisa e tal e já disse isso em diversas entrevistas e no site dele no inicio da carreira colocava como possível influência. Lógico que a gente nunca entendeu muito bem, mas era tudo muito divertido. O show do Repolho contou com a Participação do “Sopro” do Los Hemanos. Chamamos eles ao palco acendemos uma vela eles assopraram, cantamos os parabéns e eles se despediram. Foi muito engraçado. Depois lógico tocamos duas músicas: Chapecó e Lilico com o naipe tocando e fazendo coreografia. (isso pode ser visto no vídeo em anexo http://vimeo.com/17674881)
A brincadeira da Ana Julia a gente já fazia nos ensaios e em alguns shows. Tocávamos a primeira frase da música em diversos ritmos. No show foi assim. Tocamos na versão reggae, marcha soldado, Frank Aguiar e japonês. O Los Hermanos assistiam o show na lateral do palco e se divertiam muito com aquilo tudo. O Bubu (que era o baixista nos shows da banda desde a saída do Patrick que foi trabalhar com o Bob Sponja) chegou a gravar com o Repolho, 4 músicas do Vol 4. Atualmente ele toca com a banda Do Amor e lançou disco recentemente, compacto em vinil e tudo mais.
Depois do show do Repolho, teve o show da Pipodélica, um dos melhores shows que eu vi deles, resgataram inclusive a participação da primeira vocalista e foi tudo muito lindo mas a noite ainda revelava surpresas.
Na hora que o Los Hermanos começou a tocar a música “Vencedor”, o publico que se acotovelava em frente ao palco começou a pular e cantar a música (em função daquele lance do disco ter vazado na internete que eu já comecei no inicio do texto).
Vamos aos fatos: a reforma foi mais ou menos assim.
O palco que era um pouco pra frente foi colocado um pouco pra traz e para preencher o espaço foi colocado umas madeiras (bem finas diga-se de passagem) o Fios e Formas propriamente dito era no segundo andar de um estabelecimento comercial logo abaixo da ponte Hercílio Luz na capital do estado. No primeiro andar funcionava um cabelereiro. O camarim era embaixo do palco. O cara que fez isso é o mestre da engenharia. A sorte foi que o Demetrio arrumava algumas coisas no camarim antes de subir e viu quando o palco começou a ceder. Ele tentou segurar (bem boa a idéia) (nessas horas as pessoas se comportam de forma totalmente estúpidas mesmo, não o recrimino por isso, é assim com todo mundo). Mas ele logo avisou o Alex Werner que imediatamente parou o show. Isso era metade da musica “Vencedor” primeira musica do show. Tudo foi resolvido de forma muito rápida. Formou-se um cordão de isolamento na região afetada e o público ficou atrás do fosse que se formava em frente o palco. Resumindo acabou formando um fosso na frente do palco e as pessoas tiveram que ficar atrás disso. Por pouco que não aconteceu uma desgraça.
Nesse meio tempo como havíamos brincado que o palco ia cair, o publico começou a gritar: culpa do Repolho culpa do Repolho!!!. (em uníssono) O Marcelo Camelo que estava no palco aguardando pacientemente, começou a tocar a música “Metalero sem Para” do Repolho e foi acompanhado pela banda. A música do Repolho acabou abrindo o reinicio do show. Veja o vídeo aqui: http://vimeo.com/17188232
Depois disso foi tudo muito legal e feliz. Lógico que eu passava pela dona do bar, olhava pra ele e dizia: viu!!! Tinha que sacanear a arrogância dela, não podia perder a oportunidade.
Não sei ao certo, mas talvez esse tenha sido o inicio de turnê mais tumultuada da história do rock. Depois disso o Repolho voltou pra Chapecó, a Pipodélica continuou em Floripa e o Los Hermanos virou o que virou. A turnê seguiu de forma sensacional possibilitando pra banda se estabelecer de forma definitiva na história da musica brasileira. Os shows que vieram na seqüência só confirmaram tudo o que a banda já vinha fazendo e apresentando desde a turnê do “Bloco”, mas dessa vez com um respaldo muito maior de mídia e publico. Enfim… essa historia vocês já conhecem.
Em breve voltarei com mais algumas histórias mirabolantes da banda Repolho.