
06 5 / 2011
Los Hermanos e Repolho – parte 02 – o show de Chapecó
Diria que essa foi a turnê mais azarada dos Los Hermanos e quiçá da história do rock. Isso é o que dá fazer parceria com o Repolho. Muita coisa aconteceu errada, de maneira totalmente desastrosa poderia dizer. Ousaria ainda, dizer que em muitos momentos a banda poderia ter decretado o fim definitivo. Não fosse a crescente que a vida nos proporciona, os altos e baixos que nos mantém hora no topo hora nas profundezas abissais, diria que a banda poderia não estar mais na ativa. Na verdade a banda não está, mas isso é um detalhe. Achei que o texto ficaria mais bonito usando uma possibilidade que na verdade já aconteceu. Mas que na época não tinha nem sido cogitada.
A turnê começou com o disco Ventura (ainda não finalizado) vazando na internete. Foi um dos primeiros sinais da força da internete no Brasil. Eles começaram a turnê e as pessoas conheciam todas as músicas com o disco recém chego nas lojas. A MTV acompanhou a banda nos primeiros shows e quase veio até Chapecó. Ficou em Maringá, se eu não me engano. Curitiba e Maringá seriam os primeiros shows da turnê. Chapecó seria o terceiro, o quarto show foi em Joinvile (mas sem a participação do Repolho e da Pipodélica) e o quinto e Florianópolis.
Em Chapecó deu tudo certo, mas antes disso deu tudo errado. Eu explico. No fim deu tudo certo, mas até chegar lá foi um caos total. Usamos de toda nossa sapiência (lê-se traquejo) para resolver e brincar com as mais diversas situações. O lugar que propusemos o show era para ter passado por uma reforma. A casa que ia ter estrutura de palco e espaço para 600 pessoas não concluiu as reformas a tempo e tudo ficou pela metade. Um dos principais motivos é que um vizinho (velho) começou a reclamar e fazer denúncias de que o bar fazia muito barulho e não tinha isolamento acústico. O bar que se chamava Cristal Bier não tinha tudo regulamentado e a policia começou se fazer presente com maior freqüência (não para desfrutar do ambiente) mas para interditar o bar mais cedo. Já tinha acontecido uma “chuva de xuxu” num show do Maria do Relento semanas antes e o bar passava um momento de abre e fecha, fecha e abre. Mas era o único lugar que tínhamos para fazer o show. Já estávamos em negociações e insistimos na possibilidade com a promessa de que em dois meses tudo seria resolvido. Se não fosse ali não teríamos outro lugar para tocar.
Até a data do show foi um caos. E no final o Cristal Bier acabou negociando com alguém que eu não sei quem é (e não me interessa e nem vem ao caso) e ficou acertado que poderia funcionar somente até as 01 hora da manhã. Ou seja para fazer três shows na mesma noite complicava tudo. Aqui em Chapecó geralmente o pessoal sai para as festas a 01 da manhã. Mas tudo bem. Anunciamos na mídia (lê-se rádio e TV):
As 10:15 show da Pipodélica, as 11:00 show do Repolho, as 11:45 show do Los Hemanos e a 01 hora show da policia local.
Sim a policia batia ponto com freqüência no local para ver se o bar estava cumprindo as regras. Chegavam sempre no horário determinado, entravam no bar de arma em punho e tirando as pessoas do bar. No show dos Los Hermanos eles estavam lá respondendo as provocações. Cumprimos os horários rigorosamente e o publico compareceu cedo. Era 00:40 as viaturas chegaram em frente ao bar. O show do Los Hermanos terminou 00:55. Quando os policias entraram no bar o publico já havia se dispersado e não tinha mais bagulh… barulho algum. Foi sensacional. A cara dos policiais entrando no bar respondendo aos estímulos midiáticos acabou deixando tudo com um toque muito mais engraçado.
Como eu falei, deu tudo errado, mas no fim de tudo certo. E isso que eu acabei não comentando o incidente com a sonorização que colocou um terço do que foi pedido (segundo a equipe técnica do Los Hemanos). O palco acabou ficando engraçado, mas triste ao mesmo tempo porque era um palco de bar (que era para ter sido ampliado na reforma que nunca teve) com uma banda de 5 integrantes fixos + o naipe de metais (3 pessoas). Deve ter sido o show mais família da banda com a sensação de tocar no porta mala de um opala. Mas isso perto do que estava por vir foi fichinha.
Esse show aconteceu numa quarta feira véspera de feriado. Os Los Hermanos chegaram em Chapecó na terça feira, participaram do programa de rádio (o Vôo do Morcego que eu apresentava na Rádio oeste Capital) entre outros compromissos e passeios pela cidade. Na quinta (ou sexta, não me lembro ao certo) eles tocariam em Joinville, mas não teria a participação de nenhuma banda de abertura e no sábado aconteceria o show em Florianópolis. Continue acompanhando essa saga nos posts seguintes.