
23 4 / 2011
Mistura explosiva – Repolho + Pagode + Renato Russo Cover!!!
O Repolho sempre tocou pouco na região. Tocamos duas vezes em são Miguel e duas vezes em Xanxerê. Olhando hoje percebo que os motivos podem ser óbvios. Mas talvez nem tanto. O segundo show que a gente fez em São Miguel foi catastrófico e pode ser visto como um bom exemplo de porque a banda não se apresentava mais na região. Ao meu entender foi o pior show da história da banda. Mas lógico que, dependendo do ponto de vista pode ter sido um dos melhores. Tudo conspirava contra e as pistas foram apresentadas desde o inicio das negociações com o contratante. Íamos tocar num ginásio de esportes (tá essa é fichinha porque o Repolho sempre tocou com som ruim e em lugares inóspitos) com uma banda de pagode e um Renato Russo cover (que medo). Fomos naquela do Roberto Carlos pensando que “daqui pra frente tudo vai ser diferente”, e foi.
Fomos para são Miguel no final de tarde e o show era na mesma noite. Chegamos umas seis e pouco e fomos comer algo. Um x-salada básico. As dez horas a produção do show chamou a gente para uma espeto corrido. Comemos tanto que não dava pra se mexer. Imagina a encrenca. Subimos ao palco eu não conseguia raciocinar direito. Parecia que o mundo inteiro rodava e olha que eu não bebo. O Demétrio na terceira musica deu um pulo e afundou o palco. Nada demais. Eu via tudo em câmera lenta. O palco era baixo e dava pra ver uma gurizada na frente. O figurino do Girino era um colchão com umas 20 raquetes de tênis. Ele ficava enrolado no colchão somente com as mãos e a cabeça pra fora (faça um esforço pra imaginar porque vale a pena). As raquetes de tênis foram inseridas aos poucos como se fossem aquelas caixas que o mágico vai colocando as espadas. Tudo devidamente amarrado com umas cordas. Na medida que ele ia se mexendo as raquetes iam caindo.
O som estava horrível. Já éramos acostumados a tocar sem retorno, mas daquela vez tudo parecia pior. De repente parei de ouvir o baixo. Quando eu olho o publico rolava o Girino dentro do colchão na frente do palco. O Anderson se irritou e falou pra gente ir embora e saiu do palco. Continuamos tocando sem bateria. Umas três musicas depois o Anderson volta e a gente terminou o show. Precisávamos ficar até o final da festa pra receber. Como a festa não deu muita gente ficaram devendo. Viemos embora as 6 da manhã. Vim vomitando de lá pra cá. A primeira vomitada foi na ponte do rio Chinelo Queimado próximo a Maravilha. E depois disso, a cada dez quilômetros era um regurgito. Coisa fina. Passei dois dias ruim depois dessa.
Infelizmente esse show não tem gravação nem foto e se bobear pode ser que nem tenha acontecido.